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DOSSIÊ DA INCLUSÃO – Leila Wasum

 

PEAD/UFRGS – Pólo de São Leopoldo

 

Minha Experiência Pessoal:

 

            Nasci em 1962 e quando eu tinha um ano e quatro meses minha mãe deu à luz minha irmã caçula. Com um parto muito difícil, faltou oxigenação ao cérebro de minha irmã e a Denise tinha um problema mental, o que os médicos diziam ser um pequeno retardamento. Como ela era muito comunicativa e expansiva, todos perguntavam se era eu quem era a criança “excepcional”, pois sempre fui tímida e retraída.

            Desde muito cedo tive que aprender que ela necessitava de mais cuidados do que eu, que não poderia fazer algumas coisas que me eram exigidas. Foi muito difícil, tinha ciúmes de ela estar sempre grudada na minha mãe, não entendia porque eu tinha que ajudar nas tarefas domésticas mais do que ela. Quando ela entrou na escola, também foi difícil entender que ela não teria o mesmo desenvolvimento e as mesmas exigências que eu e meus irmãos.

            Meus pais sempre foram muito conscientes e participativos e logo entenderam e aceitaram que ela precisa de cuidados especiais e que não tinha o mesmo ritmo de amadurecimento que nós. Mesmo enfrentando muitos preconceitos colocaram a Denise na APAE e na Escola Especial com a finalidade de ajudá-la e tentar fazer com que se sentisse mais “incluída”. Aprendi a conviver com aquelas crianças, pois sempre levava e buscava a Denise e frequentava as atividades que envolvessem a família. No entanto, sempre era doloroso aceitar aquela situação, pensar que minha irmã teria dificuldades para se desenvolver e ser aceita na sociedade.

            Aos doze anos a Denise começou a apresentar sintomas de uma doença degenerativa congênita na medula nervosa que atingia a coordenação motora e os músculos. Foi um período de muita dor, muitas incertezas, aos poucos ela começou a perder os movimentos das pernas e a coordenação dos braços. Só aos dezesseis anos é que foi realmente comprovada esta doença, segundo os médicos uma síndrome conhecida na Alemanha, de onde vieram nossos antepassados. Ela passou muitos anos na cama ou na cadeira de roda e nossa casa teve que sofrer adaptações para termos mobilidade com ela.

            Paralelo a tudo isto entrei no Curso Normal com quinze anos e surgiu a oportunidade de fazer um curso de Voluntária para trabalhar na APAE, pensei que era o momento de entender e resgatar alguns valores que me tinham escapado, que talvez pudesse entender e aceitar toda a situação que vivíamos em casa. Após o curso e seu estágio, que terminou no fim de outubro, eu e duas colegas começamos a trabalhar teatro e música com os adolescentes da APAE. Foi muito gratificante e eles conseguiram decorar suas falas para o teatro que fizemos para a festa de Natal. No ano seguinte trabalhei como auxiliar da professora de uma turma com crianças com síndrome de Daw e uma autista, uma vez por semana. Foi um trabalho muito difícil, principalmente quando a professora faltava e eu tinha que assumir a turma. Eles eram muito inquietos e eu sempre ia para casa com algum machucado. Trabalhei todo o ano de 1978 com esta turma e depois parei de trabalhar na APAE porque tinha aula o dia todo. Sem dúvida, a experiência vivida nesta escola marcou muito minha vida, não só como professora, mas me ajudou a ser mais tolerante e carinhosa com minha irmã.

            Já como professora formada fui trabalhar com alfabetização e sempre obtinha resultados satisfatórios com alunos considerados problemáticos. Por isto me tornei professora da “classe especial” da escola, com crianças com alto nível de repetência na 1ª série. Aprendi muito com eles e nas reuniões de classes especiais de todo município, com troca de experiências e relatos das colegas. Dos oito alunos consegui alfabetizar quatro, o que me deixou muito feliz.

            Talvez por toda esta bagagem que eu trago, vivendo uma experiência pessoal tão profunda, é que sempre consegui bons resultados com alunos com necessidades especiais, principalmente no que diz respeito ao seu entrosamento, participação e colaboração com a turma. Também entendo muito crianças que tenham irmãos com necessidades especiais porque me coloco no lugar delas e sei o que elas sentem e o quão é difícil entender que uma pessoa da nossa família, com características parecidas com as nossas possam ser tão diferentes e precisem de nosso amor e nosso apoio.

            Fazem dois anos que a Denise faleceu, mas nossa vida sempre esteve voltada para cuidá-la e fazer com que seus dias fossem os mais confortáveis e cheios de amor possíveis. Meus filhos cresceram sabendo que ela era uma pessoa que precisava de cuidados especiais, que competia e brincava com eles como se fosse da mesma idade Talvez a maior lição que ela deixou a toda família foi a união necessária nos momentos. difíceis, a alegria constante que ela tinha, a necessidade de aceitarmos o diferente e convivermos com bom humor, esperança e fé.

 

 

 

Unidade 2 – políticas públicas brasileiras em Educação Especial e o Projeto Político-Pedagógico da Educação Inclusiva

 

 

 

 

            Trabalho na Escola Estadual de Ensino Fundamental Mário Quintana, na periferia urbana de São Leopoldo. Minha escola abrange a primeira etapa do Ensino Fundamental de oito anos (até 4ª série) e a mesma etapa do Ensino Fundamental de 9 anos (até 5º ano). Temos 230 alunos e 10 professoras docentes.

            Nossa escola possui quatro alunos com necessidades educacionais especiais. Um com necessidades físicas, pois tem as perninhas atrofiadas, que está no segundo ano (1ª série). Não usa cadeira de rodas e sim um skate onde senta e se movimenta com muita destreza e rapidez. Uma aluna com laudo de deficiência mental, uma menina e um menino em processo de diagnóstico, também com problemas mentais, todos no 3º ano (ª série).

            Nossa escola não tem nenhum tipo de atendimento especializado para estes alunos, pois não possui nenhuma professora com formação em educação especial. Cada professora tenta dar o melhor de si para proporcional um inclusão social destes alunos. A aluna com laudo tem a promoção garantida através da Resolução nº 2 de 2001. Quando os alunos com necessidades especiais têm convênio médico a escola orienta a família para procurar um pediatra que as encaminha ao neurologista. Quando a família não tem condições a escola encaminha para o CRAS, que é uma descentralização do posto de saúde em todas as regiões do município. Lá tem todos os profissionais necessários para diagnóstico e tratamento. O Poder Público Estadual não proporciona nenhum tipo de atendimento a nenhum aluno, inclusive aos portadores de necessidades educacionais especiais..

            Confrontando estes dados da minha escola com as leis vigentes é impossível não se decepcionar ou revoltar com os poderes públicos em todas as esferas, que criam as leis, mas não criam condições de serem aplicadas. Na Constituição Federal de 1988 no artigo 208, assim como na lei nº 8069 de 13 de julho de 1990, no Capítulo IV, já era assegurado o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. No Capítulo V da Lei nº 9394 de 20 de dezembro de 1996 (LDB) diz que haverá na escola regular para atender as peculiaridades da clientela da educação especial serviços de apoio especializados. Diz também que os currículos e métodos devem ter uma organização específica para atender estes alunos, assim como professores especializados e professores do ensino regular capacitados para atenderem esta demanda, o que não acontece, pelo menos na maioria das escolas da rede pública estadual.

            A Resolução nº 2 de 11 de setembro de 2001 volta a frisar no seu artigo 8º a necessidade de professores especializados e capacitados, a atuação colaborativa do professor especializado com o professor da turma, assim como a disponibilidade de outros recursos de apoio necessários à aprendizagem, à locomoção e à comunicação. Salvo raras exceções, as escolas da rede estadual não possuem professores especializados, assim como não é oferecido nenhum tipo de capacitação aos professores do ensino regular. O que nos parece é que o sistema público estadual se viu diante da necessidade de cumprir a lei e abriu as portas das escolas para a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais sem se preocupar com a funcionalidade destas medidas. Não há verbas para adequar as escolas à acessibilidade de alunos portadores de necessidades físicas especiais, assim como não há nenhum investimento na capacitação de professores. Também há muitas escolas sem serviço pedagógico de apoio, na minha escola só há a supervisão escolar, além da direção.

            Enfim, mais uma vez nos deparamos com leis ricas em boas intenções para promover a inclusão social e a educação do povo, mas esbarramos nos recursos para cumprimento destas leis. Mais uma vez vimos que a classe dominante deste país coloca idéias ricas e construtivas no papel, mas dificilmente cria recursos para seu cumprimento. É lamentável que a área da educação, base de um povo desenvolvido, seja sempre penalizada pela incompetência administrativa.

 

 

REFERÊNCIAS:

 

 

  • Constituição Federal de 1988
  • Lei nº 8069 de 13 de julho de 1990
  • Lei nº 9394/96 – LDB
  • Resolução CNE/CEB nº 02/01
  • Registros da E. E. E. F. Mário Quintana, São Leopoldo

 

 

 

Unidade 3- Serviços Especializados em Educação Especial no Município de São Leopoldo

 

PEAD/UFRGS – Pólo de São Leopoldo

 

            Pesquisei as seguintes entidades que trabalham com a Educação Especial na nossa cidade:

 

A) APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais: existe a 46 anos no nosso município e atende a 215 alunos, recebendo pessoas de zero a 21 anos, mas não há uma idade fixa para o aluno deixar a escola, tendo alunos até 40 anos.

            109 alunos participam da parte pedagógica da escola e o restante participa de atendimentos clínicos. A instituição conta com oficina de artesanato, marcenaria, terapia ocupacional, psicopedagogia, psicomotricidade, aulas de dança, musicoterapia e informática.

 

B) ALDEF (Associação Leopoldense de Portadores de Necessidades Especiais e Educacionais): é formada apenas por cadeirantes, muitas pessoas, de idades variadas, participam de reuniões a cada 15 dias para avisos e palestras. Há também atendimento de crianças.

            Os trabalhos realizados são diversos: peças feitas de papéis, bonecos de fuxico, pinturas, cartões e dobraduras. Em toda primeira semana de cada mês há um espaço na estação do TRENSURB para comercialização dos trabalhos..

PS: Na verdade não encontrei dados que mostrem um trabalho pedagógico mais direcionado, mas considerei importante relatar a existência desta instituição em nossa cidade, pelo trabalho de inclusão e socialização realizado.

 

C) ABRADEVIS (Associação de Deficientes Visuais): fundada há 10 anos com a finalidade de lutar pelo bem-estar e a dignidade das pessoas com deficiência visual. A instituição ministra vários cursos: informática, música, Braille, locomoção e mobilidade, além de grupos de convivência, esportes, atendimento jurídico, médico e encaminhamento de passe livre.

 

D) Associação Pandorga:é formada por autistas e possui duas casas, uma para atender os bebês e outra para atender crianças maiores. Não encontrei dados mais precisos desta instituição.

 

E) Associação Vida Nova: atende a aproximadamente 200 alunos surdos, mudos e alunos sem deficiência, existindo há aproximadamente 18 anos.

            Proporciona ensinamentos a crianças de idade desde o período da creche, onde há alunos com deficiências múltiplas e autistas. Da 1ª a 8ª séries há aula para ouvintes e não ouvintes (surdos). Na grade curricular há o curso de LIBRAS para os alunos e também existe o curso em dois módulos para os pais aprenderem a entender o que os filhos falam.

 

F) CAPS (Centro de Atenção Psicossocial): existe desde 2003, é formado por uma equipe de 15 pessoas e atende quase 300 usuários, são pessoas de idades variadas, mas a maioria é adulta, normalmente que estão passando por alguma crise. O trabalho é realizado em grupos e há atividades como teatro, danças, confecção de chocolates, colares e outras bijuterias.

            Há atendimento pessoal, médico, psicólogo e a instituição é ligada à Secretaria da Saúde do Município. As peças criadas nas oficinas e expostas para venda tem o dinheiro revertido para os próprios usuários.

OS: Mais uma vez coloquei esta instituição por considerar que fazem um trabalho de inclusão importante, mesmo não sendo voltado para a área pedagógica.

 

G) Escola Especial Estadual Aracy de Paula Hoffmann:atende a 120 alunos adolescentes e adultos de 1ª a 8ª séries, todos com deficiência mental, nos turnos manhã e tarde com aulas normais e oficinas de artesanato. Possui oficinas de pintura de caixinhas de madeira e lata e culinária. A escola possui uma sala de informática, há atividades de teatro e coral, há também um serviço de voluntariado, onde é ensinado basquete aos alunos. O dinheiro arrecadado com a venda dos materiais das oficinas reverte para os alunos, em forma de presentes e passeios feitos em instituições culturais e pontos turísticos.

 

H) Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Ilha Moreira: atende alunos sem deficiência, alunos com baixa visão ou cegueira, utilizando o método BRAILLE.

 

I) NAPPI (Núcleo de Apoio e Pesquisa ao Processo de Inclusão: fundado em 2003 com o objetivo de atender as questões do processo de construção escolar. Atende alunos da rede municipal nos seguintes segmentos: atendimento terapêutico, apoio pedagógico e atendimento das famílias. O objetivo é a construção da aprendizagem da criança através de jogos confeccionados pelos profissionais do NAPPI.

Atendem às seguintes áreas do atendimento terapêutico: psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, psicomotricidade e psicopedagogia.

 

REFERÊNCIAS:

 

http://portalsocial.org.br/Notícias.aspx?IDNotícia=103

 

http://www.vivasaoleo.com.br/notiscias/visualizar.asp?Cod=7658

 

Alunos com atendimento especial na minha escola:

 

1º ANO: nenhum aluno com atendimento especial.

 

 

2º Ano: um aluno com atendimento com fonoaudióloga pelo convênio médico.

 

3º Ano: um aluno com fonoaudióloga pelo convênio médico

             um aluno com psicopedagoga, neurologista e fonoaudióloga no CRAS (posto de saúde)

             uma aluna estudava na E. E. E. Aracy de Paula Hoffman, mas a mãe abriu mão do atendimento e a matriculou na nossa escola. Atualmente não recebe nenhum atendimento especial.

  

3ª série: um aluno com psicopedagoga 

              um aluno com psicóloga no convênio médico

 

4ª série: nenhum aluno com atendimento especial

 

          Como o Estado não proporciona nenhum tipo de atendimento especial os alunos que dele necessitam devem procurar auxílio através das famílias, que muitas vezes não o procuram.     

 

 

 

ESTUDO DE CASO

 

 

     Como estudo de caso vou abordar a situação da aluna P., que estuda no 3º ano (2ª série) do Ensino Fundamental de minha escola. Ela é a única aluna da escola, por enquanto, a ter um laudo médico que diz que ela tem um retardo mental e, portanto, é uma aluna com necessidades especiais.

     Penso ser uma situação bem difícil porque nossa escola não tem profissionais capacitados para a educação especial e a rede estadual não oferece nenhum tipo de atendimento, a não ser na Escola Especial Aracy de Paula Hoffman. Sendo assim, o atendimento a esta aluna é igual aos outros, com pequenas variáveis, tendo como foco principal sua inclusão e socialização.

Segundo relato da mãe, a gravidez da menina foi mais ou menos e ela fez o pré-natal. No dia do parto viram que a menina estava sentada. O parto foi muito difícil e o bebê tomou muita água do parto. A menina nasceu no dia 27 de maio de 1995, portanto fez 14 anos recentemente.

        Aos dois meses a mãe notou algo nos olhos dela e o pescoço meio torto, relata que ela parecia normal, mas não era. Mamou no peito até dois anos. Com um ano e dois meses a menina caminhou, a mãe ressalta que sem andador, mas demorou muito a falar, só depois de dois anos. Seus brinquedos eram bolinhas e livrinhos em quadrinhos que até hoje ela gosta, assim como gosta muito de lavar louça.

        Atualmente com a menina moram oito pessoas: ela, seus cinco irmãos, a mãe e um primo. A situação da família é precária, moram numa área invadida, eles tem bolsa família e PAS (programa da prefeitura de limpeza das ruas em troca de cesta básica). A própria mãe cuida da menina e não trabalha fora, pois tem medo das crises que ela tem eventualmente. A menina toma Haloperidol 2 ma/ml, pois tem o laudo médico diagnosticando deficiência mental, CID F 70.

        Aos seis anos a mãe colocou a menina na escola, mas as professoras logo notarem que ela tinha uma deficiência e foi encaminhada para tratamento médico em Porto Alegre, onde morava. Aqui em São Leopoldo a mãe afirma que a menina estudou na E. E. E. Aracy de Paula Hoffman, que tinha passe livre nos ônibus para ela e para a filha, mas que a menina não foi mais porque não queria ficar longe dos irmãos, que também estudam na nossa escola.

        Nossa escola entrou em contato com a escola citada acima, que forneceu um atestado afirmando que a menina não havia freqüentado regularmente aquela escola, indo pouquíssimas vezes. Deixamos a mãe bem ciente que a menina não terá tratamento especializado, pois não há professora habilitada nem sala de aula multifuncional. Aconselhamos a mãe a procurar atendimento especializado paralelo à escola, visto que o atendimento gratuito que possuía não foi utilizado.

        A mãe foi ao CRAS (Posto de Saúde do bairro com diversos profissionais) e solicitou bolsa-família, o que conseguiu. Lá conversou com a Assistente Social que orientará a mãe para atendimento especializado, inclusive condicionando-o à freqüência escolar, visto que há histórico de abandono.

        Atualmente a menina freqüenta o 3º ano (2ª série) na nossa escola. Segundo relato da mãe ela melhorou muito desde que freqüenta nossa escola, que não briga mais com os familiares. Diz a mãe que antes ela não escrevia, mas que dá gosto ver seus trabalhos.

        Segundo os relatos das professoras do 2º e 3º anos a menina não faz a maioria das tarefas, eventualmente desenvolve as atividades. Envolve-se em atividades coletivas com muitas limitações, nunca solicita a ajuda da professora e fica um pouco isolada da turma. Na verdade, ela é promovida porque tem laudo médico.

        A mãe está feliz porque a menina está socializada, incluída num grupo e gosta da escola, onde recebe muitas doações de roupas e calçados e é bem tratada. Também pode ir sozinha para escola, que fica a aproximadamente 500 metros da sua casa. Na verdade,  ela não leva em consideração a importância de um tratamento mais especializado e elaborado, mas sim que a menina esteja bem e não dê muito trabalho.

 

11/06A aluna P. relaciona-se moderadamente com os colegas, participando de brincadeiras no recreio com crianças de sua convivência no ambiente em que vive. Normalmente ela fica a espreita no local da merenda escolar e da venda de merenda para ver se ganha algo. Raramente se aventura a brincar com as pernas de pau ou de pular corda. Seu relacionamento com as funcionárias e equipe diretiva é bem acanhado, quando conversamos com ela ou elogiamos algo ela abaixa a cabeça ou simplesmente acena um sim ou não.

        Na sala de aula a professora já havia relatado que ela faz poucas atividades. A professora não faz nenhum trabalho diferenciado porque diz que não tem capacitação para educação especial. A escola está repensando seus planos de estudo e projeto político pedagógico no sentido de nos adaptarmos a novas situações que estão surgindo, entre elas a inclusão de alunos com necessidades especiais e as séries iniciais de nove anos. Fizemos nosso PDE solicitando jogos didáticos para cada sala de aula e material para melhorar a aprendizagem assim como uma rampa móvel para cadeirantes no único lugar que ainda não tem que é a biblioteca.

 Quanto a atendimento especializado já citei que a Rede Estadual não dispõe de nenhum encaminhamento de nenhum tipo, apenas a E. Especial Estadual Aracy de Paula Hoffman que a mãe dispensou. Então a nossa escola solicitou que a mãe fosse ao CRAS do bairro vizinho para pedir orientação e ajuda. Quando vemos que a família tem interesse e condições, encaminhamos para a UNISINOS, no setor de psicologia e psicopedagogia. O ano passado encaminhei um aluno com dificuldade de aprendizagem para a Musicoterapia na EST, que fica na Rede Sinodal. A mãe fazia um grande esforço, às vezes levava a pé, atravessando a cidade e pagava conforme a renda familiar, o aluno melhorou bastante, inclusive no relacionamento com os colegas. Muitas famílias, como o caso da aluna P., não se empenham para procurar ajuda, contentam-se que a aluna esteja freqüentando uma escola.

A família da aluna tem quatro filhos na escola, no 1º ano, no 3º ano (a aluna P. pela manhã e a irmã à tarde) e um na 3ª série e a mãe nunca vai à escola nem participa de nada. A aluna P. estava com sarna e a escola solicitou que ficasse em casa para tratamento. Ela ficou duas semanas em casa, mas a mãe não se comunicou com a escola nem deu nenhum tipo de satisfação.  No dia mais frio que teve a menina foi de tamanquinho, a diretora perguntou onde estava o tênis que ela havia dado a ela e a resposta foi que só achou um pé do calçado, tamanho o desinteresse da família.

 

05/07 Para finalizar meu estudo de caso, entrevistei a aluna P., que tem muita dificuldade de expressar-se e quase não fala. Perguntei se ela gostava de estudar na nossa escola e ela disse que sim, que se sente muito bem nela e que não há nada que ela não goste.

        Relatou que gosta muito do recreio, principalmente de pular corda com as colegas. Quando perguntei se ela gosta da professora ela respondeu que sim, porque ela pede para a aluna escrever no quadro. Por fim, falou que todos os colegas a tratam muito bem.

 

Quais as práticas pedagógicas inclusivas possíveis de serem efetivadas em sala de aula com o sujeito escolhido por você para o estudo de caso?

Penso que dentre as práticas pedagógicas possíveis com a aluna P. seria uma maior individualização do ensino, dando-lhe tarefas diferenciadas que proporcionassem o desenvolvimento de áreas em que ela tem muita dificuldade, como a motor e a expressão verbal. Poderiam ser incentivados comportamentos que desenvolvessem mais sua autonomia e a fizessem tomar mais iniciativas. Também penso que deveria ser incentivada sua participação em trabalhos em grupos, levando-a a dar sua opinião e colaboração para o trabalho

 

 

De que maneira(s) a presença  de alunos com NEEs no ensino comum pode contribuir para a facilitação das aprendizagens da turma como um todo?

Penso que os alunos com NEEs podem contribuir para a facilitação da aprendizagem porque os conteúdos e atividades deveriam ser mais fixados e repetidos e porque nestes casos a educação deveria ser mais individualizada, proporcionando aos demais a vantagem de mais atenção às suas necessidades pessoais. Também considero que estes alunos contribuem muito para a socialização da turma, pois as crianças aprendem a respeitar o diferente, a superar limites junto com os colegas. Aprendem a conviver com a adversidade e criam mecanismos próprios para superá-la. Do ponto de vista humano, é uma contribuição enorme para tornarem-se cidadãos respeitosos, que aceitam e convivem com as diferenças, valorizando o que cada pessoa possui de melhor.

 

Que aproximações existem entre as idéias trazidas nos textos sobre avaliação e seu estudo de caso?

As idéias trazidas nos textos sobre avaliação não possuem nenhuma aproximação com meu estudo de caso, visto que a aluna P. não recebe nenhum tratamento ou avaliação diferenciada, nem uma educação mais individualizada. Ela é avaliada como os outros alunos, apenas recebe a progressão por ter um laudo médico de retardo mental.

 

 

Quais as contradições em relação ao que foi observado?

A grande contradição ao que observei é que as professoras, neste e em outros casos, não fazem nenhuma educação diferenciada sob a afirmação que não possuem habilitação para a educação especial, mas também não acatam sugestões de quem tem alguma experiência com estas crianças. Alegam que tem mais de vinte alunos e é impossível cumprir o plano de curso e dar uma atenção individualizada.

 

 

Como é feita a avaliação do sujeito da pesquisa durante o ano letivo (parecer descritivo, por exemplo)?

Como já relatei, a aluna P. é avaliada exatamente igual aos outros alunos e faz as mesmas avaliações que eles. Recebe uma nota trimestral que vai de zero a cem e um parecer descritivo com hábitos, atitudes e desempenho nas diferentes disciplinas. Não há muitas preocupações, pois se sabe que ela tem a progressão garantida por lei.

 

 

Essa avaliação dá conta das possibilidades e competências do sujeito observado?

Com certeza esta avaliação não dá conta das possibilidades e competências da aluna P. porque não faz nenhuma menção a sua condição de deficiente mental nem procura valorizar suas habilidades.

        Nesta questão quero mais uma vez falar da falta de planejamento e organização dos sistemas de ensino. Como é lei incluir alunos portadores de necessidades especiais, as escolas foram abertas a tais sujeitos sem haver uma preocupação com a formação do corpo docente e com o oferecimento de profissionais de apoio que possam ajudar a escola a conduzir estas crianças de maneira mais adequada. Na rede estadual, a qual pertenço, não há nenhum tipo de qualificação dos professores ou a oferta de profissionais de apoio como médicos, psicólogos, psicopedagogos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comments (9)

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Gi said

at 6:30 pm on Apr 19, 2009

Olá Leila... Você descreve bem sua experiência com a área, procuraste articular suas opiniões, comentários e problematizações apresentando uma descrição clara do processo educativo que vivencias demonstrando uma reflexão ampla, articulada e enriquecida.A inclusão do aluno especial na escola comum é um desafio. Essa é uma proposta ousada porque o grande entrave é justamente a formação dos professores, já que eles não estão sendo preparados para trabalhar com esse processo, para enfrentar os desafios e lidar com as diferenças dentro das salas de aula.

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Gi said

at 6:30 pm on Apr 19, 2009

Sabe-se que a educação é o alicerce para o desenvolvimento de qualquer cidadão, e que incluir um aluno com necessidades educacionais especiais e garantir a possibilidade de seu crescimento, só será possível quando tivermos professores e comunidade envolvidos e realmente comprometidos com a educação. Deixar o aluno em sala regular e não atender o que realmente ele necessita, não é inclusão. A caminhada é longa, mas é preciso lutar para que se garantam a todos as mesmas oportunidades para estudar, para trabalhar, para ter lazer e praticar esportes enfim, para ter acesso a todos os bens produzidos socialmente. Para isso, é necessário que haja por parte da escola, preparação para a Inclusão, ou seja, a flexibilização do currículo por intermédio das adaptações e novas práticas, para que através das aprendizagens, o indivíduo alcance um real desenvolvimento integral. Colocas que tua escola não oferece nenhum tipo de atendimento especializado e nem profissionais habilitados para atender as crianças que necessitam deste apoio. Como tua escola está contextualizando hoje as orientações curriculares, a fim de que se promovam aos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, as condições necessárias para uma educação de qualidade? Até que ponto você percebe o envolvimento efetivo da escola neste processo? O seu município está promovendo discussões e qualificações, a fim de que se superem tantas outras dificuldades que ainda persistem? Como é visto em seu município a questão do oferecimento de serviços de apoio especializado? E como a família é envolvida neste processo, como é feito o chamamento? É importante que a escola, a família e todos os envolvidos se contaminem pelos mesmos ideais, pois se houver participação, haverá também uma tomada de consciência, fazendo com que participem e exerçam seu papel.

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Gi said

at 6:31 pm on Apr 19, 2009

Em relação as políticas de inclusão, temos documentos diferenciados, tanto os que tem ação normativa, com força de lei(CF/1988, LDBEN.9394 de 1996, Resolução CNE/CEB 02/2001),quanto o último e mais recente que é um documento orientador(Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva de 2008).
São documentos que defendem a Ed. Especial como “uma proposta pedagógica que assegura recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços
educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o
desenvolvimento das potencialidades dos educandos. Sendo que os sistemas de ensino devem constituir e fazer funcionar um setor responsável pela educação especial, dotado de recursos humanos, materiais e financeiros que viabilizem e dêem sustentação ao processo de construção da educação inclusiva.”
No entanto,as escolas ainda continuam, na sua grande generalidade, sem recursos materiais e humanos para poderem implementar a inclusão, tal como é defendida! Acredito que deveríamos cobrar de todos aqueles que têm responsabilidade na ação política, que novos elementos sejam apresentados para uma reflexão mais crítica sobre a inclusão e os aspectos que devem ser contemplados para promovê-la. Implicando assim, na transformação do modo de se conceber a educação como um todo, a fim de que as escolas possam receber todos os alunos, quaisquer que sejam suas especificidades. Qualquer dúvida entre em contato. Abraços, Gi




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Gi said

at 7:03 pm on May 15, 2009

Olá Leila… Teu relato referente à PARTE A da unidade 3, apesar de bem detalhado, atende em partes ao que foi solicitado, já que não colocas quantos alunos de cada modalidade da educação básica são atendidos nestes serviços em seu município (creches, pré-escolas, ensino fundamental). Abordando de forma geral apenas. Desta forma, em virtude de termos um tempo demasiadamente curto, solicito que complemente o mapeamento destes atendimentos dentro da TUA escola (em todas as etapas).

Exemplo:
Pré-escola:
Atende 5 cças:
* 2 recebem atendimento de fono,
* 1 de psicopedagoga
* 1 de psicóloga
* 1 de psiquiatra

Primeiro Ano:
Atende 3 alunos:
* 2 recebem atendimento de psicólogo
* 1 de pedagoga

É sabido que algumas alunas já trouxeram informações nessa direção na unidade anterior, porém mais relacionados à sua classe. Agora gostaria que fosse ampliado para toda escola.
Solicito também que não retire as informações citadas anteriormente, já que são dados importantes e que revelam a realidade em que atuas.

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Gi said

at 7:03 pm on May 15, 2009

Sobre o ESTUDO DE CASO, teus registros não estão muito aprofundados, identificando apenas alguns dados mínimos. Nesta parte da atividade a proposta é identificar um aluno a ser delimitado como sujeito do estudo de caso, ou seja, traçar um perfil deste aluno através de registros detalhados, precisos e fidedignos.
Para isso, elencamos algumas questões com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento deste estudo de caso.

1. Dados de Identificação (nome do aluno fictício, idade, classe econômica e social).

2.Informações sobre a gestação e primeiros anos de vida do aluno.

3.Questões orgânicas: doenças, tratamentos médicos e especializados, alimentação, doenças e condições de saúde em geral.

4. N° de pessoas e grau de parentesco das pessoas que compõem a família, quem cuida do aluno no dia a dia, quais são seus brinquedos e brincadeiras preferidas.

5. Questões de aprendizagem em sala de aula: tempo de concentração, grau de envolvimento com as atividades, grau de autonomia e independência na realização das atividades propostas em sala de aula.

6. Encaminhamentos realizados na Escola : entrevistas e combinações com as famílias, encaminhamento à atendimentos médicos e especializados, etc.

7. Intervenções pedagógicas: Aqui a intenção é ir refletindo sobre práticas pedagógicas. Não é pra aplicar. Escrever um parágrafo onde seja feito um relato sobre como facilitar a aprendizagem de alunos com NEEs a partir da existência dos serviços de apoio especializado. Procure escrever sobre esta questão, pois se observou em alguns dossiês a falta de abordagem da mesma.

É importante que se invista na construção deste dossiê, pois a diversidade de informações aqui relatadas, contribuirá para as próximas reflexões, a serem elaboradas nas unidades seguintes. As complementações poderão ser feitas até 22/05. Qualquer dúvida entre em contato. Abs, Gi

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Gi said

at 5:46 pm on May 21, 2009

Olá Leila... Tuas complementações referentes a PARTE A desta unidade contempla o objetivo proposto. Fico aguardando ainda tuas complementações a cerca do ESTUDO DE CASO. Qualquer dúvida entre em contato. Abs,Gi

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Gi said

at 12:33 pm on Jun 9, 2009

Olá Leila... Sobre tuas complementações referentes ao ESTUDO DE CASO, relataste com clareza a história de vida e dados valiosos sobre o aluno selecionado para compor o teu dossiê de inclusão, atendendo as propostas de nossa interdisiciplina.
Procure abordar agora os 3 itens referentes aos comportamentos observáveis na escola, solicitados na UNIDADE 5, dando continuidade a este estudo. São elas:
- relacionamentos: com professores/as, funcionários, colegas, outros;
- movimentos para a inclusão da escola (acessibilidade, adaptações curriculares, serviços de apoio);
- envolvimento da família no processo de inclusão escolar.
Podes dar continuidade na mesma página, abaixo do último parágrafo do Estudo de Caso. Procure ainda abordar os itens acima, em forma de texto como fizeste anteriormente com as outras questões, certo? O prazo de postagem para estas abordagens é 14/06. Qualquer dúvida, entre em contato. Abs,Gi


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Gi said

at 6:31 pm on Jun 12, 2009

Olá Leila... Teu relato está muito bem escrito, apresenta dados significativos sobre as relações em sala de aula do aluno em questão, bem como da sua história de vida. São dados realmente valiosos e atendem as propostas de nossa interdisciplina. Parabéns, pelo teu envolvimento e seriedade com a temática em estudo. Qualquer dúvida, entre em contato. Abs,Gi

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Gi said

at 12:43 pm on Jul 6, 2009

Leila... Com certeza as práticas pedagógicas inclusivas devem basear-se num trabalho multidisciplinar, procurando proporcionar o pleno desenvolvimento das potencialidades sensoriais, afetivas e intelectuais do aluno, mediante um projeto pedagógico que contempla os princípios da escola inclusiva, a fim de que se possa abranger toda a turma de tal forma que nenhum aluno seja discriminado. Nós professores, que somos agentes de mudança, devemos ter em mente, a responsabilidade social e participar decisivamente do esforço de inclusão, visto ser este o caminho definitivo para que deixemos de ser o país de maior riqueza e, ao mesmo tempo, das maiores injustiças sociais. O sentido especial da educação consiste no amor e no respeito ao outro, na busca para melhor favorecer o crescimento e desenvolvimento do outro. Teus relatos contemplam todos os objetivos propostos neste eixo!
Para refletir:
“Certamente, um professor que engendra e participa da caminhada do saber "com"seus alunos consegue entender melhor as dificuldades e as possibilidades de cada um e provocar a construção do conhecimento com maior adequação (MANTOAN, 2003, p. 77).”

Um abraço, bom final de semestre e até o próximo! Gi



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